Olá Bruno, fico extremamente feliz por você ter aceitado o convite do Digital Signage Brasil, e para iniciar, gostaria de uma breve apresentação sua e da JBTec.
bruno_scala-jbtecBruno Gianzanti: A JBTec (www.jbtec.com.br) é uma empresa especializada em Digital Signage com 9 anos de experiência. Representamos o software Scala no país e fomos o primeiro provedor de soluções para este mercado no modelo “SaaS”, software como serviço, possibilitando ao cliente manter o foco em seus objetivos de comunicação enquanto oferecemos nossos serviços e produtos para todas as etapas do processo. O grande diferencial da JBtec é o seu trabalho de integração, com experiência comprovada no desenvolvimento de sistemas de apoio, integração com dispositivos e sistemas de terceiros e soluções interativas. Sou sócio fundador da empresa e hoje atuo como CEO da JBtec, sou bacharel em Ciências da Computação e tenho 20 anos de experiência na área de tecnologia..

Hoje você representa uma das maiores desenvolvedoras de software para Digital Signage no mundo, o Scala, como você avalia a utilização desse software no mercado brasileiro comparado com os outros países?
Bruno Gianzanti: Sem dúvida alguma o software Scala é líder mundial. Atualmente possui mais de 80.000 players instalados em mais de 100 países. O Brasil fechou o ano de 2008 em 3º lugar nas vendas da América Latina e em 14º lugar na vendas em todo mundo. Tivemos um crescimento de 132% em relação a 2007. Este sucesso se deu devido à criação do modelo SaaS, “Software as a Service”, fomos pioneiros neste modelo. Com ele o cliente tem muitos benefícios alem do uso da melhor ferramenta do mercado: não precisa investir na compra de hardware, software, links, etc para o servidor, não precisa contratar especialistas para gerenciarem sua rede de DS e o inicio da operação é imediato, permitindo nossos clientes focarem 100% suas atividades no seu negócio principal. Nós cuidamos de todo trabalho de retaguarda, configuração, monitoramento, up-dates, backups, manutenção do servidor e recuperação de falhas. Devido ao sucesso desta solução, outros países também estão adotando esta iniciativa.

Como você avalia o atual estágio de profissionalismo da indústria brasileira de mídia digital out-of-home?
Bruno Gianzanti: Nosso mercado está em franco crescimento e profissionalização, a cada dia vemos um novo fornecedor se especializando em determinado ramo: telas de LCD profissionais e com recursos específicos para DS, várias empresas representando soluções para distribuição de áudio e vídeo, fornecedores de set top Box, mini PCs e car PCs preparados para DS e etc. Antigamente tínhamos que buscar estas soluções fora do país. Iniciativas como a academia de áudio visual e os treinamentos da InfoComm International certificam a cada dia mais profissionais no mercado DS. A JBTec já certificou mais de 200 profissionais na criação de um conteúdo eficiente para DS porém acredito que este ainda seja o “Calcanhar de Aquiles” deste mercado, pois ainda temos muito a evoluir neste setor.

Observamos o surgimento de várias empresas nacionais de digital signage, e com elas, muitos softwares “made in brazil” estão sendo produzidos e comercializados. Qual a sua análise?
Bruno Gianzanti: Todos os anos, dezenas de pequenas empresas tentam criar softwares para digital signage. O grande problema aqui não é o fato de o software ser nacional, e sim porque infelizmente são empresas que estão trabalhando para replicar algo que o Scala levou mais de 20 anos para aperfeiçoar, com apenas um ou dois anos de experiência. Estas empresas são geralmente instáveis financeiramente e muitas vezes não sobrevivem porque dependem de um único cliente.
Atualmente cerca de 20% dos novos clientes da JBTec são redes que iniciaram com o uso de um software muito jovem e que por falta de recursos ou algumas vezes por não funcionarem, e principalmente, por não permitirem a expansão foram obrigados a migrar para outra solução.

A busca por esse tipo de mídia digital indoor tem aumentado cada vez mais no Brasil? Por quê? Você acredita que um fator crucial para o crescimento acelerado da digital signage em São Paulo ocorreu devido à implantação da Lei Cidade Limpa?
Bruno Gianzanti: Acredito que o principal agente deste crescimento é a necessidade de uma nova forma de comunicação, devido à falência dos modelos atuais, tanto no setor corporativo quanto no publicitário. Este crescimento acontece em todo Brasil, porém São Paulo foi de certa forma beneficiado por esta lei, pois muitas das empresas que exploravam mídia outdoor migraram para o modelo indoor, principalmente no formato digital.

De fato, o mercado de software para mídia digital indoor vem crescendo bastante mundialmente, qual a sua opinião sobre a questão de software como serviço (SaaS)? Essa será uma tendência para os próximos anos? Em se tratando de software, quais serão as próximas funcionalidades interessantes para os usuários e administradores de redes de digital signage?
Bruno Gianzanti: O modelo SaaS é sem dúvida nenhuma, uma tendência mundial, toda a indústria desenvolvedora de software (Microsoft, IBM, etc) já esta se adaptando para esta nova realidade.
A próxima grande mudança é a implementação do modelo SaaS em arquiteturas no formato “cloud”, ou seja, o fracionamento de um conjunto de recursos disponível em dezenas de servidores e storages, permitindo escalabilidade, garantia de performance e disponibilidade do ambiente. A principal diferença é que os recursos do cliente não ficam presos a uma única máquina física. Esta tecnologia permite que seus recursos trafeguem entre diferentes máquinas físicas de forma transparente, de forma que uma máquina física com defeito não acarrete na indisponibilidade dos recursos do cliente. Os clientes JBTec já contam com estes recursos.
Ainda este ano teremos muitas inovações no Scala com o objetivo de aumentar o seu alcance global reduzindo o custo de propriedade para novos clientes que desejam implantar digital signage em redes sem funcionalidades sofisticadas. Disponibilizaremos o software para uso em PCs de baixíssimo custo (ULCPC) e dispositivos photo frame e tocadores de MPEG. Em paralelo a Scala tem trabalhado com empresas como LG e Samsung na entrega do software Scala pré-instalado em suas Telas com PC incorporado. Esta nova geração “All-In-One Device”, Tela + PC + Scala” pode significar uma grande redução de custo em relação à compra de um PC e uma tela comum.

Verificamos uma carência muito grande na área de criação de conteúdos e informações voltadas/adaptadas para sinalização digital? Qual sua análise sobre essa situação?
Bruno Gianzanti: Por mais similar que possa parecer, uma rede de Digital Signage não é uma rede de televisão, mas sim um canal de comunicação com uma programação específica e variável. O conteúdo é fundamental para o sucesso. Ele deve ser interessante para o espectador e adequado ao meio. Premissas básicas como vivacidade, relevância e atratividade devem ser os primeiros pontos a serem considerados. As aplicações de TV Corporativa fazem um uso mais eficiente desta ferramenta, pois já possuem muito conteúdo, bastando apenas sua adaptação para este novo meio de comunicação, já as aplicações no varejo ainda pecam muito, pois a maioria das redes que iniciam seus trabalhos estão ainda focadas nos processos de instalação e na expansão de seus pontos, deixando o conteúdo para um segundo momento. Porém hoje já vemos excelentes aplicações, a tendência é que o conteúdo também se profissionalize, novas empresas focadas neste segmento estão surgindo todos os dias.

Quais são as principais vantagens e benefícios do software Scala quando comparado com as soluções existentes no mercado mundial?
Bruno Gianzanti: As pesquisas mais recentes indicam que hoje temos mais de 50 competidores no mercado mundial, porém continuamos com cerca de 40% deste mercado utilizando Scala o que já é um grande diferencial de nossa solução.
A maioria de nossos competidores são apenas exibidores de vídeos (MPEG) e alguns poucos também exibem Flash, porém não possuem conteúdo dinâmico, templates, ferramenta de autoria, etc. Muitos utilizam hardwares proprietários para os players (set top box) enquanto utilizamos plataforma PC obtendo maior flexibilidade para as mudanças de necessidades das redes.
Ainda podemos destacar nosso player que exibe 2 canais simultâneos e distintos ao mesmo tempo, temos total integração com banco de dados e sistemas de ponto de venda, nosso canais podem ser criados com a quantidade de frames desejada cada qual com seu playlist independente, aceitamos praticamente todas os formatos de mídia do mercado, possuímos integração com captura de TV aberta e Fechada, temos distribuição do conteúdo também por satélite quando necessário, e muito mais.

Para quem hoje está iniciando uma rede de digital signage ou está com planos de crescimento de rede, quais são as dicas fundamentais que você daria no aspecto tecnológico?
Bruno Gianzanti: Tenho uma dica simples, mas essencial, escolha sempre uma solução que permita crescimento e que comprovadamente funcione, verifique os cases em funcionamento, faça “test drives” e planeje muito bem o crescimento de sua rede. O menor preço, na maioria das vezes, é de fato muito mais caro…..

O que você tem achado do papel de entidades como a ABDOH e o POPAI para o mercado nacional de digital signage?
Bruno Gianzanti: Acredito que entidades como estas ajudam muito na organização, normatização e disseminação do mercado. Porém ainda somos carentes de entidades com foco em tecnologia para Digital Signage.

Qual a sua opinião sobre o blog digitalsignagebrasil.com para a indústria brasileira out-of-home.
Bruno Gianzanti: Uma ótima ferramenta para aprendizado e troca de informações entre os profissionais de Digital Signage do Brasil, com informações sérias, confiáveis e atualizadas de todos os setores.

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