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Entrevista: Dimas Alves – Intaxi / Wimidia

Olá Dimas, primeiramente gostaria de parabenizar o seu trabalho a frente da Wimidia, e para iniciarmos, gostaria de uma breve apresentação sua e da sua empresa.

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Dimas Alves: Olá. Primeiro gostaria de agradecer pelo convite. Seu site é uma ótima fonte de informação para todos que participam deste meio. Meu nome é Dimas Alves, engenheiro de sistemas, e junto com Rafael Araujo – também engenheiro -, desenvolvemos uma solução de Digital Signage adaptada às necessidades e recursos do nosso mercado. A partir da entrada do Hélcio Vieira, publicitário com longa experiência no mercado tanto em TVs como em revistas, criamos o Intaxi. Hoje esta solução esta patenteada e é comercializada por nós em São Paulo, pela Volt Mídia em Curitiba e Vista Indoor em Cuiabá. Outras praças estão sob consulta. O nosso software de digital signage também é utilizado para soluções em ponto fixo (como shopping, elevador, aeroporto), além do Intaxi.

Verifica-se que você foi um dos pioneiros a trabalhar a mídia digital out-of-home dentro do ambiente de táxis, como foi essa evolução desde o seu início até os dias atuais?
Dimas Alves: O projeto do Intaxi teve início, aproximadamente, em maio/2006, quando começamos a estudar o mercado (nós não tínhamos nenhuma experiência em mídia), montar o projeto e  patenteá-lo. No início de 2007, começou a vigorar a lei Cidade Limpa em São Paulo, o que nos motivou a acelerar este projeto. Com ele mais completo, aproximadamente em 08/2007 fomos atrás de um investidor e alguém com experiência comercial nesta área; foi quando encontramos o Hélcio, que além da HV2 (Empresa especializada em comercialização de mídia) e da TV Salvador, se tornou sócio da Wimidia.

No fim de 2007, foi feito o investimento em 100 táxis em São Paulo, e hoje a Wimidia, além de possuir o sistema de Digital Signage, também possui o Intaxi. Hoje, nos táxis, existem 2 modalidades principais de mídia digital: com cartão de memória e o nosso, que é conectado à internet e oferece a interatividade. A modalidade com cartão de memória, tem a vantagem de ter um custo bem inferior ao nosso (o equipamento deles chega a ser 10 vezes mais barato que o nosso), enquanto que o nosso, apesar de mais caro, possui mais recursos e permite termos notícias atualizadas diretamente do UOL, interatividade via touch screen e SMS, além de recursos de checking, visualização remota e troca de conteúdos sem interferência manual nos equipamentos. Atualmente o Intaxi está em 3 praças, com 180 táxis, gerando ~100.000 impactos mês. No começo do Intaxi, comercializávamos apenas vídeo; hoje, além dos formatos disponíveis, a Volt Mídia de Curitiba comercializa canais de serviço, onde através de um toque na tela, o usuário do taxi pode acessar diversos restaurantes, bares e agenda de filmes.

Como é a aceitação da mídia digital indoor dentro do seu ambiente pelas agências de publicidade, anunciantes e usuários na sua região? Quais são os principais obstáculos enfrentados para se acelerar o processo de desenvolvimento nesse segmento de mídia?
Dimas Alves: Nós visitamos constantemente as agencias apresentando nossos formatos, e sempre ouvimos muitos elogios – principalmente pela quantidade de recursos do sistema e ferramentas que fornecemos aos anunciantes. Como o nosso publico é predominantemente A, nem todos os produtos se encaixam nesta linha de comunicação, mas clientes como Audi (que está veiculando este mês uma campanha linda conosco), Claro, Mackenzie (pós-graduação) – entre outros – que tem produtos de maior valor agregado, trabalham ou já trabalharam conosco.

Acredito que a crise americana que se alastrou pelo mundo tirou bastante dinheiro do mercado publicitário, e isso impediu que as empresas que estão interessadas, mas ainda sem segurança na mídia OOH, pudessem experimentar este ano.

Como a mídia OOH ainda é bastante nova, faltam métricas e pesquisas abertas – diferentemente de outros meios que já possuem maior quantidade de estudos especializados. Inclui-se também como problema – na minha visão – a quantidade de veículos que uma agencia precisa consultar e negociar para cobrir uma grande região geográfica ou um grande nicho de mercado com mídia OOH. As empresas desse ramo normalmente são locais, muito jovens – o que nem sempre passa a segurança necessária ao anunciante – e com sistemas de verificação muito diferentes. Hoje é muito mais difícil veicular em OOH do que em TV, jornal, revista, rádio, internet.

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Qual a sua opinião sobre o conteúdo de entretenimento que hoje é veiculado nos mais diversos meios digitais (ônibus, metros, taxis, PDV, elevadores, aeroportos, farmácias e etc), ele realmente está sendo bem aplicado e é relevante para o usuário?
Dimas Alves: Conteúdo é um “calcanhar de Aquiles” na mídia OOH. Já vi conteúdo GLOBOSAT (principalmente nas redes operadas dentro de supermercados) incompletos, onde você não consegue assistir um programa inteiro, seja pelo tempo do conteudo X versão de visualização, seja por falta de áudio. Como o conteudo feito para TV tem áudio e áudio no OOH é um paradigma, o conteúdo fica ruim para OOH. O conteúdo de ônibus/metro é melhor, é um conteudo fácil de assistir, com boa produção e boa intenção (humorísticos, educativos e algum jornalismo).

As mídias que utilizam conexão a internet, utilizam conteúdo de portais de internet (Elemidia utiliza Terra, e nós UOL). Atualmente estamos alimentando os nossos equipamentos com gols da rodada o que vem sendo bastante elogiado pelos passageiros. Além destes meios, muitas destas mídias veiculam campanha de entidades como WWF e UNICEF. Há uma preocupação muito grande dos veículos de OOH em ter um bom conteúdo, mas sem investir muito dinheiro.

Muito se discute hoje no meio out-of-home a questão de conteúdo adequado para o usuário (público alvo). Quais são as preocupações da Wimidia nesse sentido de adaptar a maior relevância possível no conteúdo para o usuário?
Dimas Alves: A interatividade em nossos equipamentos permite que um passageiro escolha que tipo de notícia ele deseja visualizar. Através de um SMS ou um toque na tela, ele pode escolher entre 8 tipos de noticias (esporte, economia, política etc), além de vídeos com gols da rodada.

Você desenvolveu uma ação inédita que foi o Seminário de Mídia Indoor Digital em Salvador e ainda constata-se o surgimento de vários cursos, feiras, eventos e palestras direcionados a digital signage, qual sua sugestão para integrar e divulgar ainda mais essa mídia?
Dimas Alves: Acho que as pessoas ainda carecem muito de informação sobre o meio e todas as maneiras de disseminação são válidas. Acho que é tanto conhecimento difundido em várias cabeças e empresas que é difícil juntar tanta gente! As entidades de classe (como a Abramid, POPAI entre outras) estão tentando documentar este conhecimento. Nós, da nossa parte, disponibilizamos os materiais apresentados nas palestras, gratuitamente, no site do evento, bem como atendemos várias consultas de todo Brasil de pessoas interessadas.

Qual foi a sua análise sobre o evento de mídia digital indoor em Salvador e quais foram as principais discussões debatidas entre os participantes do evento?
Dimas Alves: O evento foi um sucesso. Já nas primeiras palestras conseguimos tirar a impressão de alguns participantes que acreditavam que faríamos apenas propaganda de nossos produtos, o que já foi uma grande conquista.

Tivemos uma grande quantidade de empresários e empreendedores que buscavam mais informações para montarem sua própria rede de Digital Signage. Esse fato levantou questões sobre como montar este tipo de negócio (mercado, investimento, percepção dos anunciantes), como funcionam as pesquisas (todos querem pesquisa sobre este mercado), métricas e conteúdos de baixo custo.

Falou-se bastante também sobre as questões da saturação do mercado, sobre os cuidados que devem ser tomados para não tornarmos essa, uma mídia invasiva.

Como você avalia as ações de interatividade atreladas à mídia digital out-of-home desenvolvidas atualmente no Brasil? Quais são os projetos da Wimidia para esse novo cenário ainda pouco explorado?
Dimas Alves: As ações de interatividade – que são baseadas principalmente em tecnologia – ainda são muito fracas. As boas ferramentas que existem hoje no mercado para implantação de uma rede de DS – como Scala – não tornam esta atividade fácil. Como hoje o padrão de mercado é exibição de vídeo, poucos se preocupam com o que foge deste recurso. Interatividade é algo muito particular, é resultado de uma idéia exclusiva, é quase impossível fazer sem que o seu parceiro de software esteja por perto. Nós, da Wimidia, acreditamos muito que a interatividade é que faz realmente a diferença e possibilita ter um valor diferenciado dos concorrentes.

Hoje, no nosso sistema, é possível interagir com o equipamento para seleção de noticias e canais de conteudo (veja a reportagem) via touch screen e SMS, mensurar os  resultados da ação (saber quantas vezes houve a interatividade e em quais pontos), além de continuar uma conversa após o opt-in do usuário entre outros recursos. Imagine uma situação que uma montadora de veículos deseje mandar um SMS para um cliente com valor de parcela em diversas formas de pagamento, incluindo ainda a concessionária mais próxima? Sem um parceiro de software que esteja pronto para atender esta necessidade específica, você terá muita dificuldade em oferecer um projeto como este para os anunciantes.

Percebemos muitas empresas utilizando softwares próprios para gerenciamento de programação de digital signage. Qual a sua opinião sobre isso e cite algumas vantagens e desvantagens quanto à utilização de soluções já amplamente utilizadas no mercado internacional.
Dimas Alves: Não vejo com maus olhos quem usa este tipo de solução, só me preocupa se ele realmente entrega o que lhe foi solicitado pelo cliente (soluções caseiras podem ser manipuladas mais facilmente que uma solução de mercado), pois o anunciante vincula a atitude ao meio, não ao fornecedor (como já ouvi falar muitas vezes do mercado outdoor, e não do fornecedor do outdoor).

As soluções próprias têm a vantagem de serem mais customizados (recursos que não serão usados, não existirão no sistema) e independência do fornecedor. Fazer um sistema de gestão próprio apenas para cortar custos é muito perigoso. A grosso modo, muitas vezes é possível montar uma rede sem ter um sistema gerenciador: o administrador pode acessar a máquina remotamente e colar os arquivos, mesmo apesar dessa prática causar diversos problemas como a perda de log de exibição e as pessoas verem você acessar seus equipamentos.

Se você tem um sistema de gestão de conteúdo, diversas funcionalidades que devem fazer parte do seu dia a dia já estão embutidas: localização de equipamentos, status de distribuição de conteúdo remota, programação de conteúdo (com agendamento prévio), status de tempo ligado, mídias exibidas entre outras funções.

O que você tem achado do papel de entidades como a ABDOH e o POPAI para o mercado nacional de digital signage?
Dimas Alves: Tem uma participação importante no mercado, apesar de restrita. O POPAI tem uma característica institucional de difundir mais o conhecimento que as outras entidades (pode-se ver no seu portal quantos cursos e livros eles disponibilizam/vendem), as demais, ABDOH e Abramid, vejo ainda restritas; mesmo fazendo um trabalho de difundir para todo o mercado como funciona o DS, OOH e Indoor, quais são as boas práticas e quem faz parte do mercado, ainda não atingem os pequenos veículos – que são muitos – e por isso podem estar se distanciando de quem está fazendo o mercado em regiões mais distante dos centros. Acho que ainda não são o que o mercado precisa – mas serão em algum tempo.

Qual a sua opinião sobre o blog digitalsignagebrasil.com para a indústria brasileira de digital out-of-home.
Dimas Alves: O digitalsignagebrasil.com é uma referencia para todos do mercado. Está sempre atualizado e por dentro do que está acontecendo. Quase sempre que vou a algum de nossos parceiros e franquias, vejo-os acessando o site e comentado as matérias. Mais uma vez, muito obrigado pelo convite. Espero ter contribuído.

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1 comment

#1Paula Santos18 de junho de 2009, 15:37

Grande exemplo de criatividade e empreendedorismo! É isso o que falta em grande parte dos jovens, que esperam pelo emprego dos ‘sonhos, e aliados a falta de incentivo, deixam de produzir.

A comunicação também estava precisando de outros canais… grande percepção desses rapazes!

Abraços e parabéns!

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