Olá Yuri, inicialmente parabenizo seu ótimo trabalho a frente da área comercial da BroadSign International para a America Latina. Para iniciarmos, gostaria de uma breve apresentação da sua experiência profissional e também da BroadSign.
Yuri Berezovoy: Trabalho com tecnologia e inovação há 12 anos, com foco nas áreas de audiovisual e gerenciamento de redes. Formei-me engenheiro de computação pela PUC-RJ. Trabalhei na representação da IMAX e posteriormente em parceria com a JVC com uma linha para cinema digital. Atuei na área de serviços gerenciados para operações de TV a cabo e tive também a oportunidade de trabalhar com inovações e logística para o maravilhoso projeto do casal Moss, o Brasil das Águas.
Há 6 anos iniciei minha atuação específica no mercado de mídia digital out-of-home (DOOH) e em 2005 fundei com sócios a Ya Mogu, me desliguei em 2008. A Ya Mogu mantém seus objetivos como empresa prestadora de serviços técnicos e de inovações. Ano passado aceitei o convite para ocupar o cargo de Diretor Comercial para a América Latina da BroadSign International.
O principal produto da BroadSign é o BroadSign Suite™, uma plataforma Software como Serviço (SaaS) para atender às demandas de projetos de DOOH com flexibilidade para crescer de maneira ilimitada, permitindo a comercialização de espaços na grade de programação de maneira segmentada. Atualmente são 25 mil localidades conectadas a nossa infra-estrutura, o que nos torna líderes isolados no fornecimento de SaaS para o mercado internacional.
Quais são as principais vantagens e benefícios do software BroadSign Suite?
Yuri Berezovoy: A BroadSign traz em seu DNA a comercialização de mídia, as principais vantagens são oriundas desse posicionamento e o expertise que obtemos com nossos clientes:
- A BroadSign foi a primeira empresa a comercializar o modelo SaaS. Oferecemos a infra-estrutura mais confiável e comprovada do mercado. O suíço Neo Media Group, por exemplo, tem 150 mil telas operadas com nossa plataforma.
- Criamos o conceito de “loops” e elaboramos um sistema baseado em regras em que o PC player gera as playlists automaticamente. As regras de loop reduzem significativamente a necessidade com pessoal e viabilizam a segmentação em grandes redes.
- A operação do BroadSign segue o fluxo de trabalho das empresas de mídia. Por exemplo, agendar um conteúdo é um processo de reserva de campanha. Escolhe-se o público-alvo (segmentação demográfica ou geográfica), o período de veiculação, preço e o BroadSign lhe retorna com um PI (Pedido de Inserção) para ser entregue ao cliente. No final do mês geram-se os relatórios de comprovação.
- Nossos relatórios seguem padrões definidos pela OVAB e foram auditados pela Arbitron e Nielsen, atestando que são 100% precisos.
- O BroadSign pode ser instalado em Linux ou Windows e pode se conectar a internet usando qualquer tipo de conexão: banda-larga convencional, dial-up, satélite, celular ou wi-fi.
- A mais recente inovação foi o lançamento do BroadSign Open. O Open foi o motivador de todo o trabalho destacado acima. Agora é possível unificar todas as redes que utilizam BroadSign como se fossem uma única operação de mídia, padronizada e com massa crítica regional ou internacional. Dessa forma vamos oferecer mais do que a melhor plataforma do mercado, mas também ajudar a monetizar as operações de nossos clientes.

Observamos o surgimento de várias empresas nacionais de Digital Signage, e com elas, muitos softwares “made in brazil” estão sendo produzidos e comercializados. Qual a sua análise quanto a comparação com softwares internacionais?
Yuri Berezovoy: Acredito que os melhores softwares nacionais são os softwares proprietários desenvolvidos por operadores de rede como a Elemidia ou a GM7. No entanto, a luz do que ocorre no exterior, a tendência é uma conversão para plataformas como a BroadSign. A Accent Health, por exemplo, instalou 12 mil salas de espera em clínicas com um sistema proprietário. Eles vêm convertendo em média 400 clínicas por mês para a BroadSign e hoje há cerca de 9.000 salas de espera já operando com nosso sistema (em Linux). A Accent Health tornou-se mais dinâmica, desenvolvendo ferramentas e inovações para seus clientes sobre a plataforma BroadSign, ao invés de re-inventar o que nós já fizemos.
Para as empresas que pretendem desenvolver e comercializar seu software, esse mercado é bastante concorrido no mundo todo e é um bom negócio para pouquíssimas empresas. Em 2009 alguns concorrentes de renome como a Telentice fecharam as portas (fornecedor da CBS Outdoor na Inglaterra). A BroadSign tem 15 anos de P&D e cerca de $20 milhões investidos em desenvolvimento (fora marketing etc, etc..) e mesmo sendo o maior fornecedor mundial de SaaS para o segmento, somente atingimos um cash flow positivo quando superamos a marca das 10 mil localidades. Em resumo, até é possível sobreviver no médio prazo à custa de um ou outro grande projeto, mas será necessário bem mais do que isso para acompanhar as demandas do mercado internacional.
Um ponto fraco em algumas empresas nacionais é a falta de compreensão da complexidade de gerenciamento de infra-estrutura de servidores. A disponibilidade medida de nossos serviços desde 2004 foi superior a 99,999% (em torno de 8 minutos fora do ar por ano). Nossa infra-estrutura está dimensionada para receber 150 mil localidades conectadas sem a necessidade de investimentos adicionais.
Ainda que a tendência dos grandes projetos seja utilizar plataformas mais consolidadas, acredito que há boas oportunidades em aplicações de nicho e pequenos projetos para os “made-in-Brazil”, assim como em desenvolver aplicações para funcionar complementando o BroadSign Suite.
Você poderia explicar para os leitores do Digital Signage Brasil as principais diferenças entre o modelo on-site VS SaaS? Quais são as principais vantagens do modelo SaaS para operações de mídia?
Yuri Berezovoy: O modelo SaaS tende a oferecer duas principais vantagens para operações de mídia: foco nos objetivos comerciais e redução de custos operacionais.
Empresas de mídia devem focar em comercializar sua grade e expandir sua rede. O modelo SaaS assegura que os principais recursos estão alocados para os objetivos do negócio e não no gerenciamento e manutenção de infra-estrutura. Há dois mitos sobre essa discussão que geram muitas dúvidas:
- “No modelo on-site, invisto uma única vez e depois não tenho mais custos”. Na prática, toda plataforma tem custos recorrentes de suporte e upgrades. Hospedando seu próprio servidor você também deve acrescentar os custos de equipamentos, datacenter e pessoal.
- “O software on-site é mais seguro”: Segurança se resume em pessoal e tecnologia. Devido a escala de nossa operação, mantemos pessoal monitorando 24/7 nossos servidores, realizando auditorias de segurança freqüentes e se atualizando sobre o tema. Os equipamentos estão localizados em datacenters que mais parecem uma caixa forte, com policiamento armado e acesso físico altamente restrito. Poucas são as empresas com hospedagem própria que teriam esse nível de preocupação e investimento.
Você sempre acompanha o mercado mundial de Digital Signage, inclusive seu blog (www.mundooh.com) divulga muito bem essas informações. Qual é a percepção que a indústria internacional possui do mercado brasileiro de mídia digital indoor?
Yuri Berezovoy: O blog mundooh tem o objetivo de aproximar o empreendedor brasileiro com a experiência internacional. Podemos capitalizar nos erros e acertos das redes no exterior e tornar nosso processo de amadurecimento um pouco menos árduo e custoso.
O mercado brasileiro ainda é considerado pequeno quando comparado ao Norte Americano ou Europeu e isso gera certo desconhecimento do enorme potencial. Vejo regularmente empresas internacionais priorizando a China ou Índia antes de se voltarem para a América Latina. Ao olharem para cá, até recentemente, o México ainda tomava precedência ao Brasil. Eventos como o organizado pela ABDOH e o número crescente de brasileiros nas feiras internacionais impulsionam o conhecimento de nosso mercado.
Acredito que para entrarmos totalmente no mapa precisamos fazer no Brasil o que ainda não foi feito no exterior: a consolidação das operações de mídia, unificando as redes e aderindo a padrões. Temos a chance de realizar isso a um custo acessível, pois ainda estamos em um estágio inicial no desenvolvimento de nossas redes de mídia. A consolidação nos tornaria um dos mercados mais atrativos do mundo.
Para quem hoje está iniciando uma rede de Sinalização Digital ou está com planos de crescimento de rede, quais são as dicas fundamentais que você daria no aspecto tecnológico?
Yuri Berezovoy: O mercado de DOOH exige conhecimentos em diversas áreas técnicas distintas. Se o foco da operação for mídia, recomendo não perder esse foco e terceirizar os aspectos tecnológicos e mesmo os operacionais para empresas com experiência comprovada no segmento.
Para atingir massa crítica na comercialização de mídia, buscaria me aliar com outras empresas que utilizam a mesma tecnologia visando a unificação das operações de um ponto de vista técnico (caso a tecnologia permita isso).
Uma tendência que estamos acompanhando nesse setor é o surgimento portais agregadores de mídia (como o rVue BookingDooh SeeSaw), buscando impulsionar a criação e execução de campanhas globais de publicidade. Como você avalia essas iniciativas e quais são as perspectivas futuras para as redes de comercialização de mídia?
Yuri Berezovoy: Os portais agregadores oferecem uma excelente oportunidade de receita para operadores de redes de mídia digital. Menos de 0,05% das redes no mundo conseguem preencher 90% ou mais de sua grade, dessa forma não há motivos para não disponibilizar parte desse espaço ocioso para agregadores e monetizar.
O objetivo dos portais é, sobretudo, facilitar o processo de compra oferecendo massa crítica e um ponto único de contato para o comprador, com padronização do processo e relatórios. O conceito não é novo, todas as mídias do rádio a internet já passaram por uma fase semelhante.
Recentemente a OVAB promoveu a maior campanha unificada de DOOH já realizada, envolvendo 22 redes distintas e 137 mil telas. Os resultados para o anunciante foram fantásticos, mas a execução beirou o impossível. Como cada rede utiliza uma tecnologia diferente, cada uma teve que adequar o conteúdo, agendar em sua grade e depois emitir relatórios que foram unificados pela OVAB. Concluiu-se que para repetir a experiência com uma rede maior ou mesmo com mais anunciantes, a única forma de fazê-lo é se houver uma infra-estrutura tecnológica compartilhada, onde as etapas acima são automatizadas. Ou seja, quando uma reserva de mídia é realizada no portal, aquela campanha é automaticamente distribuída para as telas de maneira transparente tanto para o comprador de mídia quanto para o operador de rede.
A rVue foi o primeiro portal no mundo a automatizar esses processo, utilizando a infra-estrutura compartilhada da BroadSign para unificar as redes. Acredito que em breve no Brasil teremos algo semelhante.

Na sua opinião quais são as principais dificuldades e barreiras para a adoção da mídia digital out-of-home? Quais seriam os principais pontos para impulsionar esse segmento?
Yuri Berezovoy: A mídia DOOH precisa aparecer no planejamento dos principais compradores de mídia do país. Atualmente a grande maioria das redes vive de compras “oportunistas” e ocasionais. Para entrar no planejamento temos que oferecer massa crítica e padronização, a começar pela definição mais simples: audiência. Para atingir massa crítica é indispensável que operadores de rede, grandes ou pequenos, utilizem uma infra-estrutura tecnológica compartilhada, pois é a única maneira de automatizar a execução de campanhas entre redes distintas.
Gostaria que você comentasse um pouco com os nossos leitores algumas questões relacionadas a padronização internacional do termo “audiência” e ainda um pouco sobre pesquisas, métricas e comprovação de campanhas digitais out-of-home.
Yuri Berezovoy: Os principais meios de comunicação como rádio, TV, outdoor e internet utilizam o termo audiência. A definição de público atual no segmento de DOOH é uma grande salada, mas, sobretudo orientada a tráfego. Para nos consolidarmos como um meio, e não ser eternamente classificados como “mídia alternativa”, necessitamos utilizar essa unidade básica da mídia tradicional para podermos ser comparáveis.
A OVAB desenvolveu ao longo de 1 ano, conjuntamente com institutos de pesquisa, operadores de rede e agências, uma definição de audiência para o meio envolvendo 3 elementos básicos: tráfego, visibilidade da tela e oportunidade de ver o conteúdo. É muito importante tomarmos conhecimento dessa metodologia e nos preparar para utilizá-la como padrão. Em um futuro próximo algumas empresas de pesquisa poderão “certificar” essa audiência e trazer credibilidade para o processo e ao operador de rede. O processo de certificação por entidade independente é indispensável e essa é a etapa em discussão no momento.
O futuro da comprovação de veiculação segue os passos do Google onde um relatório é emitido a partir de uma infra-estrutura compartilhada e confiável (auditada). Podemos ficar tranquilos, o photo-checking não faz parte de nosso futuro..rs
O que você tem achado do papel de entidades como a ABDOH e o POPAI para o mercado nacional de digital signage?
Yuri Berezovoy: Mantenho-me próximo dessas duas entidades e recomendo a todos participarem ativamente. O POPAI vem servindo, sobretudo, para educar empreendedores iniciando no segmento, com discussões no comitê de DS, palestras e eventos. A ABDOH realizou recentemente um evento marco na história de nosso mercado e se aproximam cada vez mais das entidades internacionais.
A ABDOH está posicionada para ser o principal articulador da consolidação das operações de mídia em nosso mercado. Por envolver as maiores operações nacionais e detendo a maior fatia do bolo publicitário da mídia DOOH, são os principais interessados em alavancar o meio.
Qual a sua opinião sobre o digitalsignagebrasil.com para a indústria brasileira de digital out-of-home.
Yuri Berezovoy: O digitalsignagebrasil.com é minha principal fonte de informações no mercado nacional, leio diariamente. Parabenizo pelo excelente trabalho, constantemente acrescentando novidades, como as entrevistas mensais e o Guia Online.







julho 30th, 2009 às 9:37
Grande Yuri! Firme e objetivo como sempre. Parabéns pela entrevista e pelos comentários esclarecedores. Parabéns ao Otávio pela iniciativa. Parabéns ao digitalsignagebrasil.com por ser esta fonte de informações de grande relevância.
Helio Costa – Midia Indoor Tecnologia e Marketing Ltda.
julho 30th, 2009 às 10:58
YURI…
GOSTARIA DE LHE PARABENIZAR PELO TRABALHO QUE VEM FAZENDO
AO LONGO DE SUA CARREIRA, POIS SEUS ESFORÇOS REFLETEM EM
FACILIDADES PARA AS EMPRESAS DE MIDIA.
SOU DE POA-RS, SEMPRE TIVE VONTADE DE MONTAR UMA REDE, POIS AKI NO SUL AINDA É POUCO EXPLORADO, ACREDITO QUE VC TENHA AS MELHORES DICAS P/ QUE ISSO OCORRA!!!
VOU VISITAR O SEU SITE E VOLTAMOS A SE FALAR.
ABRAÇO, VINICIUS BARCELOS(DANTY)
julho 30th, 2009 às 12:42
Eu conheço o expertise da Broad e a competência.
Admiro o Yuri pelo o seu rico conhecimento na área e excepcional pessoa.
Sucesso!
Sérgio Fernandes
julho 30th, 2009 às 14:30
Ola Yuri, Muito interessante o trabalho da BroadSign. Vamos marcar uma reunião para conversarmos sobre oportunidades. voce pretende estar em São Paulo durante as proximas semanas? Vamos agendar.
Abraços,
Donald
julho 30th, 2009 às 15:19
Yuri
Parabéns pelo profissionalismo e poder de síntese.
Gostei de saber que existem iniciativas brasileiras sobre a facilitação dos processos de mídia, esperamos poder participar com vocês.
Cordiais saudações
Renato alencar
julho 31st, 2009 às 15:09
Obrigado por todos os comentários. Vou responder individualmente aos emails que recebi.
O que torna viável esse meio é justamente a competência e determinação de todos os empreendedores envolvidos. Espero poder seguir contribuindo e desejo muito sucesso para todos nós!!
Yuri
julho 31st, 2009 às 17:54
oi querido
tenho muito orgulho de vc e agradeço a Deus por ser sua tia
bjs
juju
agosto 1st, 2009 às 18:15
Parabéns Yuri.
Que bom que já somos parceiros.
Um abraço
ACarlos
setembro 2nd, 2009 às 3:34
[...] Olá Yuri , inicialmente parabenizo seu ótimo trabalho a frente da área comercial da BroadSign International para a America Latina. Para iniciarmos, gostaria.Page 2 [...]