Semana passada começamos aqui a argumentar sobre as telas, como elas surgiram, suas funções e evolução. Descrevo nesse espaço um pouco do meu estudo sobre o assunto.
Dando continuidade a explanação da semana passada (quem se interessar pode procurar no conteúdo do blog), continuemos caracterizando as telas em sua primeira fase – classical screen, para Manovich e período pré-fotográfico para Santaella – duas classificações que levam em consideração a característica estática de uma reprodução em tela (pintura). Mesmo no período fotográfico, descrito por Santaella, que agrega a fotografia também, a característica das telas se mantém, ou seja, é a reprodução de algo estático e que possui a limitação de demonstrar um momento ou lugar no tempo. O espectador não tem conhecimento do que houve antes ou do que ocorrerá depois daquele instante. A fotografia agrega um equipamento que responde a estímulos químicos e mecânicos e que, na época de seu surgimento, não era considerada como arte. Besteira, pois a sensibilidade do fotógrafo é tão grande quanto a do pintor. Além disso, tanto na pintura quanto na fotografia, sempre existe o envolvimento de duas partes para sua produção: o pintor ou fotógrafo, com seus equipamentos (tela, tinta e pincel ou a máquina fotográfica) que registra a imagem de algo: pessoa, lugar, animal ou objeto.
Apenas com o cinema a característica do movimento é introduzida na questão das telas. Aí sim, entra em cena um dos outros autores que mencionei recorrer para escrever o capítulo de minha dissertação que tratou sobre as telas – Keith Kelsen. Quando este autor desenvolveu argumentação sobre as telas, ele já partiu da tela em movimento, ou seja, o cinema, que para ele é a 1ª Tela. Sendo assim, ele simplesmente desconsiderou, em seus estudos, as telas estáticas.
Mas todos concordam que o cinema realmente inovou ao agregar a característica do movimento e que, com isso, a cena descrita ficou mais completa, pois já se podia entender o todo. Com o que ocorreu antes, durante e o que acontecerá depois de determinada cena, foi possível se contar uma história inteira e envolver o espectador. Claro que o cinema não começou assim tão completo. Como todo novo meio de comunicação, ele foi se moldando até agregar a forma como o vemos hoje em dia.
Todos os autores são unanimes também em descrever o cinema como algo mágico. Talvez a dimensão da tela, o ambiente de exibição, a pré-disposição do espectador em ver uma história. E mais recentemente toda a utilização de tecnologia em sua produção e exibição. Tudo ajuda no envolvimento e magia da arte cinematográfica. Mas seria o cinema perfeito? Teria ele alguma limitação? Continuamos na semana que vem.


