Continuamos aqui discutindo sobre o surgimento e evolução das telas na sociedade humana. Nesta terceira parte complementaremos a questão do cinema. A tela dinâmica – dynamic screen – é a segunda geração da genealogia das telas apresentada por Manovich e mantém muitas das características da tela clássica, porém com uma grande e revolucionária inovação: a imagem em movimento. Essa é a imagem inaugurada pelo cinema e seguida, posteriormente, pela televisão e pelo vídeo. Para Santaella, essa característica da imagem em movimento foi possibilitada pela segunda revolução industrial, a eletroeletrônica, que ainda faz parte do paradigma evolutivo da produção de imagens na fase denominada por ela de “fotográfico”, envolvendo também o cinema, a televisão, o vídeo e a holografia.
A tela do cinema tem a capacidade de transportar a platéia a outro mundo criando uma realidade diferente do cotidiano. O cinema, como qualquer novo meio de produção de linguagem, passou por aprimoramentos e evoluções. Como arte de vanguarda, no começo não existiam muitas técnicas e, a bem da verdade, não se tinha muita idéia da finalidade do cinema. Percebemos que o cinema não se apossou apenas da tecnologia para evoluir. Ele manteve e ainda mantém uma afinidade direta com a literatura e com a televisão, assim como a pintura mantém com a fotografia. Existe uma relação de influência e incorporação mútuas nos procedimentos estruturais, na capacidade de constituição ficcional e em novos tempos narrativos. Para Kelsen, o cinema foi a Primeira Tela – silver screen – pois oferecia imagens em movimento e texto.
Apesar de toda a inovadora ilusão trazida pelo cinema, Manovich observa certa limitação no meio. Suas imagens, quadros sequenciais registrados de um determinado momento, trazem algo restrito ao passado. É compreendido, então, que o cinema só pode mostrar eventos acontecidos anteriormente à sua exibição. Sua limitação está em não poder mostrar algo cuja circunstância acontece naquele exato momento, ao vivo e em tempo real. As telas ainda teriam que evoluir para poder mostrar alguma informação ou conteúdo que fosse transmitido ao vivo. Foi então que surgiu o radar, desenvolvido através de tecnologia militar de guerra para a observação da possível chegada de inimigos em determinado local, foi a primeira tela que trouxe uma imagem que mostrava o que estava acontecendo em tempo real. Manovich (2001) definiu esta evolução de “tela de tempo real” – screen of real time. Certamente que a imagem era um ponto na tela, mas ela tinha a característica de demonstrar algo que acontecia naquele instante, ao vivo. Continuaremos..


