Ao falar-se do vending, é inevitável a alusão à inovação, considerada um dos valores mais prioritários para o setor.
Comprometido intimamente com a inovação tecnológica, o setor da distribuição automática traz consigo o selo dessa permanente aposta no aperfeiçoamento. Aliás, o investimento contínuo das empresas nos departamentos de I+D é a confirmação mais cabal da busca de soluções mais inovadoras e vanguardistas.
As mudanças drásticas verificadas ao nível dos ritmos e estilos de vida dos consumidores são, em boa parte, uma das razões com maior influência na evolução gradual do setor. Muito concretamente, fatores como a mudança dos padrões de compra, os ritmos agitados e apressados impostos pelas rotinas quotidianas, os gostos sofisticados do público mais jovem, as crescentes preocupações ambientais e a maior sensibilidade às questões da saúde, estiveram na origem de uma aposta notória no desenvolvimento constante de soluções.
Apesar de alguns estigmas que parecem ainda dominar o imaginário coletivo dos consumidores, a trajetória que o vending tem percorrido ultimamente revela que, longe de ter assumido uma postura de conformismo e resignação, sempre procurou superar as suas limitações e falhas, numa busca ininterrupta de aperfeiçoamento das suas múltiplas funcionalidades/recursos.
Com a crescente integração das novas tecnologias interativas, considerada uma das principais tendências em voga no setor, o vending tem contribuído para transformar, de forma impressionante, uma enfadonha e banal experiência de compra em algo de cativante e fascinante.
Inscritas no conceito de ‘vending inteligente’, muitas são as máquinas que, dotadas de um vasto conjunto de recursos e funcionalidades revolucionárias, conseguem otimizar e redimensionar a relação de interação entre a máquina e o usuário.

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Inúmeros são os avanços tecnológicos realizados no setor, seja em matéria de meios de pagamento, segurança, seja ao nível da interatividade, conectividade, etc. Entre os mais impressionantes progressos tecnológicos do setor temos em consideração: a introdução progressiva de displays interativos LCD e touch-screen, sistemas de pagamento cashless (permitem o pagamento através de telemóveis e cartões de crédito/débito), soluções de telemetria, sistemas de reconhecimento facial e vocal, integração dos média sociais e, não menos importante, a sinalização digital (permite fornecer informações nutricionais e gráficas bastantes úteis acerca dos produtos, para além de permitir a exibição de promoções, anúncios de vídeo e outros conteúdos digitais, potenciando o impacto publicitário desejado).
No tocante aos recursos de maior relevo, a conexão à Internet está, claramente, entre os que mais incrementam a rentabilização e crescimento do negócio dos operadores.
Questionado sobre os desenvolvimentos tecnológicos de maior relevo no seio da indústria do vending, Miguel Angel Bruni, diretor geral da FAS International DA S.L., afirma que “os avanços mais significativos baseiam-se na evolução das máquinas e na qualidade com que preparam ou dispensam o produto…”. Carlos Pereira, gerente da Bianchi Vending Portugal, comentou, por seu turno: “na atualidade, os principais desenvolvimentos tecnológicos na nossa indústria passam por produzir equipamentos com software touch screen e com LCD’s interativos, que tornam estes equipamentos mais atrativos, pois facilitam a interação com o consumidor”. Na identificação dos principais avanços ocorridos, Sabrina Peroni, export manager da GPE Vendors, preferiu destacar, desta feita, outros progressos ainda não mencionados: a “Telemetria, o pagamento dos produtos através de telemóvel”.
Com um discurso mais centrado no percurso evolutivo da distribuição automática, Manuel Díaz, diretor da Rheavendors España, considera que “São muitas as melhorias que nós, os fabricantes, aportamos, no dia a dia, às nossas máquinas, mas, do meu ponto de vista, as duas grandes revoluções ocorridas, nos últimos anos, no interior do setor têm sido, em primeiro lugar, a substituição dos sistemas eletromecânicos pela eletrônica (anos 80), o que fez com que as possibilidades das máquinas se multiplicassem de maneira exponencial. Apareceram combinações anteriormente inimagináveis, como cappuccinos, moccaccinos, chocolates quentes, etc. Esta foi também a base para o começo de todos os desenvolvimentos posteriores como a telemetria, contabilidade completa e sistemas de pagamento (…)”. “O outro fator revolucionário foi o desenvolvimento da tecnologia de injeção de plástico de forma significativa, ao longo da década de 90, tanto em peças e componentes como nas portas e acabamentos. Isto permitiu aos fabricantes reduzir sensivelmente o tamanho de muitos componentes, especialmente os grupos de café expresso, oferecendo, deste modo, modelos cada vez mais de menor dimensão…”, continuou ele.

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Sem ignorar a sua importância real para melhorar “a experiência de consumo para o usuário e a rentabilidade do operador”, especifica: “São todos aqueles desenvolvimentos orientados a melhorar as prestações da máquina, desde os sistemas de extração até à flexibilidade, fiabilidade, durabilidade e eficiência energética de cada um dos seus componentes. Neste domínio, destaca-se o aperfeiçoamento que se está a verificar na elaboração de bebidas quentes, como o café ou o chá, que nada fica a dever à que se consegue obter num hotel por meio de uma máquina tradicional”. Acrescentou ainda: “a indústria do vending está a introduzir tecnologias desenvolvidas noutros domínios, obtendo novas funcionalidades que permitem ao operador otimizar custos e maximizar a rentabilidade com novas possibilidades de gestão”.
Sobre as tendências mais predominantes, Miguel Angel Bruni reconhece que a “tendência continua a ser a de oferecer um bom produto a um preço excecional, sendo que as novas tecnologias nos permitem realizá-lo”. Carlos Pereira, da Bianchi Vending Portugal, incluiu, por sua vez, a incorporação de sistemas touch screen e LCD’s interativos entre as “principais tendências”, considerando-a, de resto, a sua “principal aposta em termos de marketing”. Dentro do que considera serem as tendências em voga, Sabrina Peroni, da GPE Vendors, põe o acento, por sua vez, nas “Máquinas que vendem apenas garrafas, máquinas de grande porte, de emissão verde”. Ainda em relação a este assunto, Eduardo Andueza, da Azkoyen, considera existir “uma tendência relacionada com a introdução das novas tecnologias, ainda que, algumas vezes, não se analise o benefício real que elas trazem ao operador. Em muitos casos, são incorporadas por uma mera questão de moda ou tendência predominante”. Aludindo ao caso específico da Azkoyen, este responsável refere que a companhia prefere “fazê-lo sempre que sejam tecnologias que permitam obter uma maior rentabilidade da operação”. Noutro âmbito, acrescenta que “A mobilidade é a tendência que está a consolidar-se dia a dia, dispondo-se de cada vez mais serviços e produtos orientados a satisfazer uma vida em constante ação”. “Neste sentido, o vending foi e é um dos primeiros e mais importantes setores dirigidos à mobilidade”, arremata ele.
Partindo, agora, para os terrenos das previsões, interpelámos os fabricantes inquiridos para que nos antecipassem o futuro das máquinas de vending. Em estreita articulação, procuramos obter respostas para as questões de como veremos as máquinas daqui a dez anos e o que as distinguirá das atuais.
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Em resposta, Miguel Angel Bruni, da FAS International DA S.L., esclareceu-nos nestes termos: “as novas tecnologias far-nos-ão atingir limites impensáveis até agora: telas táteis para a compra do produto; conexão à internet para, a partir da máquina, sermos capazes de solicitar outro produto não disponível na mesma; conexão telefônica direta a partir da máquina, para solicitar qualquer informação adicional ou problemática, etc. Enfim, o vending do futuro não terá nada a ver com o atual”. Preferindo focar-se no tema dos meios de pagamento, Carlos Pereira, da Bianchi Vending Portugal, realça que “O futuro do vending irá passar cada vez mais pela utilização de sistemas de pagamento alternativos, em vez das tradicionais moedas, utilizando, por exemplo, os Smartphones, que irão proporcionar uma maior comodidade na utilização dos equipamentos”. Admitindo não ser fácil antever o futuro do vending, Sabrina Peroni, da GPE Vendors, crê, porém, que a “telemetria e o pagamento através de telemóvel irão criar uma revolução neste campo”. Manuel Díaz, da Rheavendors España, diz que “Na Rheavendors, já dispomos de máquinas para responder à pergunta de como será o vending do futuro. Poderíamos denominá-lo de “Vending Online”, porque fará parte da ‘Rede’ e responderá às novas necessidades da sociedade. As máquinas serão inovadoras, multimédia, com interfaces dinâmicas, e serão geridas on-line”. “O ato de compra passará de um simples intercâmbio mercantil ou transação monetária para uma comunicação evolutiva, que transmitirá ao consumidor a sensação da mais elevada qualidade (…). Nossas máquinas multimédia já estão demonstrando o que será o vending dentro de dez anos…”, prossegue ele. Eduardo Andueza, da Azkoyen, reconhece a dificuldade de “fazer previsões tecnológicas num cenário de mudança como o atual”. Parafraseando: “O surgimento do iPhone em 2007 revolucionou, em apenas cinco anos, a forma como utilizamos a informática, a telefonia e a internet. Acreditar que esta revolução, ou outra similar, não afetará o Vending será pouco realista”.
No seguimento da alusão que fizera à questão da mobilidade, este responsável realça que “é previsível a incorporação de sistemas orientados à personalização total dos produtos dispensados, especialmente em bebidas como o café; a aplicação de promoções individuais, dependendo do consumo; a utilização de sistemas biométricos; e, sobretudo, a utilização de máquinas de venda para oferecer todo o tipo de produtos em qualquer lugar, satisfazendo qualquer necessidade em mobilidade”.
Atendendo à sua evolução, o setor enfrenta, atualmente, diversos desafios. Para Miguel Angel Bruni, da FAS International DA S.L., “O único desafio que devemos enfrentar na atualidade é o de levantar a cabeça e sair desta pesada crise que nos trava em todos os aspetos e a todas as figuras que compõem o setor (fornecedores de produto, operadores, clientes finais, etc)”. Sem desvalorizar esta mesma problemática, Carlos Pereira, da Bianchi Vending Portugal, refere que “Os principais desafios que a nossa indústria enfrenta é a constante procura por parte do consumidor de algo que seja inovador e os surpreenda”. Ainda neste campo, Manuel Díaz, da Rheavendors España, deu-nos uma resposta bastante esclarecedora: “Outros desafios que todos os fabricantes têm nas suas carteiras estão relacionados com os consumos e com o meio ambiente. Têm sido grandes as modificações realizadas nos últimos anos para evoluir em termos de eficiência energética: conseguiu-se importantes reduções nos consumos elétricos e também ambientais; mudou-se para o uso de gases refrigerantes ecológicos; passou-se a utilizar sistemas de iluminação de menor consumo e menos poluentes, com a substituição das fluorescentes pelas leds; introduziu-se novos materiais mais ecológicos e fáceis de eliminar, uma vez chegado o final da vida útil das máquinas. A indústria do vending, à semelhança das outras indústrias, não cessa de projetar e trabalhar pensando no futuro”. Por sua vez, Eduardo Andueza, da Azkoyen, partilha da opinião de que “o maior desafio é adaptar-se ao novo consumidor deste século, uma pessoa cada vez mais exigente, mais informada, mais conectada e muito preocupada com a sua saúde e seu ambiente”. Relativamente ao que deverá e poderá ser feito para tornar a experiência de compra mais emocionante, lúdica e atrativa, Miguel Angel Bruni, da FAS International DA S.L., apesar de considerar que já nos encontramos nessa fase, assinala que “os novos sistemas de compra, por meio de tela tátil, com conexão à internet, tornam as compras mais atrativas”. Para Sabrina Peroni, da GPE Vendors, “Usar o display touch screen é muito mais divertido, e muitas coisas podem ser adicionadas nestes displays, mesmo que nós não vejamos isso como uma prioridade”.
Pondo o enfoque em qualquer uma das exigências do novo consumidor, Eduardo Andueza, da Azkoyen, explica que “qualquer tecnologia ou desenvolvimento que satisfaça uma só dessas necessidades tornará a experiência de compra mais agradável”, não deixando de sublinhar, de resto, que “a satisfação do consumidor é sinônimo de rentabilidade para o operador”.

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